A Vida
e
a
obra
de
Erasto
Discípulo de Paulo de Tarso
Erasto fora descendente da tribo de Benjamim. Nascera no ano 13 da Era Cristã. Sua família e a de Saulo de Tarso, mais velho que ele alguns anos, eram conhecidas e mantinham laços de amizade. Na infância, em anos distintos, ambos receberam formação religiosa da mesma escola judaica, a dos fariseus, cujo mestre maior naquele tempo era Gamaliel, o Velho.
Durante a juventude, compromissos familiares o levaram para Éfeso, movimentada cidade portuária da Ásia Menor (oeste da atual Turquia), centro próspero de comércio e de cultura grega, com milhares de habitantes, onde a dominação romana oferecia melhores perspectivas de vida.
Em seguida, no ano 32, sequioso de trabalho e falando perfeitamente o grego, Erasto deslocou-se para Corinto, importante colônia romana no coração da Grécia, cidade mais requintada depois de Atenas, centro cosmopolita onde traços da exuberante cultura helênica ainda despontavam. Ali conheceu e manteve amizade com a família da moça que seria em breve o grande amor de Paulo. Trabalhou na administração pública da cidade até o ano 58 e, no seguinte, foi Edil da colônia por um ano.
Com o respeitável
nome de Erasto, cujas comunicações traziam
sempre o "cunho incontestável de profundeza e
lógica", como disse o próprio Codificador,
encontramos duas personalidades, em momentos
diferentes da História da Humanidade.
A primeira, afirmativa do próprio Codificador, é
de que ele seria discípulo de Paulo de Tarso (O
livro dos médiuns, cap. V, item 98). A
afirmativa tem procedência. Na segunda epístola
a Timóteo, escrita quando prisioneiro em Roma,
relata o Apóstolo dos Gentios: "Erasto ficou em
Corinto." ( IV,20)
Segundo consta na epístola aos Romanos, na
saudação final, este mesmo Erasto tinha cargo na
cidade, pois se encontra no cap. 16, vers. 23:
"Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade".
Em Atos dos Apóstolos (XIX,22) lemos que Paulo
enviou à Macedônia "...dois dos que lhe
assistiam, Timóteo e Erasto..." , enquanto ele
próprio, Paulo, permaneceu na Ásia. Interessante
observar a proximidade dos dois discípulos de
Paulo, pois em O Livro dos Médiuns, cap. XIX,
encontramos longa mensagem assinada por ambos, a
respeito do papel do médium nas comunicações
(item 225). Juntos no século I da era cristã,
juntos na tarefa da Codificação.
Ainda em O livro dos médiuns são de sua lavra os
itens 98, cap. V, algumas respostas a perguntas
constantes no item 99, itens 196 e 197 do cap.
XVI, itens 230 do cap. XX, onde se encontra a
célebre frase: "Melhor é repelir dez verdades do
que admitir uma única falsidade, uma só teoria
errônea." Finalmente, na comunicação de nº
XXVII.
Em O Evangelho segundo o espiritismo, lê-se
várias mensagens assinadas por Erasto. A
primeira se encontra no cap. I, item 11, a
segunda no cap. XX, item 4 e se intitula: Missão
dos espíritas, trazendo a assinatura de Erasto,
anjo da guarda do médium, aditando oportunamente
o Codificador de que o médium seria o sr. d'Ambel.
As demais compõem os itens 9 (Caracteres do
verdadeiro profeta) e 10 (Os falsos profetas da
erraticidade), ambas datadas de 1862, sendo que
na última é o próprio espírito que se identifica
como "discípulo de São Paulo", o que igualmente
faz no cap. I, item 11 de O evangelho segundo o
espiritismo e cap. XXXI, nº XXVII de O livro dos
médiuns.
A outra referência a esse espírito se encontra
na Revista Espírita, ano de 1869, da Edicel, no
índice Biobibliográfico, onde é apresentado como
tendo sido Thomaz Liber, dito Erasto, médico,
filósofo e teólogo alemão, nascido em 1524 e
morrido em 1583. Foi professor de Medicina em
Heidelberg e de Moral, em Basiléia.
No campo da Teologia, combateu o poder temporal
da Igreja e se opôs à disciplina calvinista e à
ordem presbiteriana. Sua posição lhe valeu uma
excomunhão, sob suspeita de heresia, sendo
reabilitado algum tempo depois. Suas teorias
tiveram muitos partidários, sobretudo na
Inglaterra. Legou somas consideráveis aos
estudantes pobres, sendo especialmente
respeitado por seus gestos de benemerência.
De qualquer forma, o que resta incontestável,
segundo Kardec, é que "...era um Espírito
superior, que se revelou mediante comunicações
de ordem elevadíssima..."(O livro dos médiuns,
cap. XIX, item 225)
O que importa realmente é a tarefa desenvolvida
à época de Paulo de Tarso e ao tempo de Kardec,
por um espírito.
Encarnado, o seu grande trabalho pela divulgação
das idéias nascentes do Cristianismo, em um
ambiente quase sempre hostil. Desencarnado,
ombreando com tantas outras entidades
espirituais, apresentando elucidações precisas
em favor da Codificação da Doutrina Espírita,
respondendo a questões de vital importância para
uma também doutrina nascente, a Terceira
Revelação, o Consolador prometido por Jesus.
Fontes de consulta:
1.Revista Reformador (FEB) de
outubro 1993 - Um espírito chamado Erasto
2.Atos dos Apóstolos, XIX, 22.
3.Romanos,XVI,23.
4.II Timóteo, IV, 20.
5.Revista Espírita (Edicel) ano 1869 - Índice
Biobibliográfico
(7)-Campos, Pedro de. Colônia Capela, nota da p. 105, Bibliografia. (N.A.).
(Extraído do livro Universo Profundo - Seres Inteligentes e Luzes no Céu - Uma Visão Espírita da Ufologia - de Pedro de Campos por instrução do Espírito Erasto - Lúmen Editorial, Colaboração: José Estênio Gomes Negreiros).
Luiz Sergio Gomes Vasconcellos
Espíritas!
Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruí-vos,
eis o segundo.
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