Vida e a obra de Florence Cook
A
Médium Inglesa Florence Cook nascida no dia 3 de junho
1856, e desencarnada na mesma cidade em 1904.
Veio de um lar de uma respeitável classe trabalhadora em
Hackney, a leste de Londres.
Com saúde pobre desde a infância, ela tinha capacidades
psíquicas, e era capaz de ver espíritos e ouvir as vozes
desencarnadas, embora pouca divulgação tenha sido feito
disso dentro da família de Cook.
Os primeiros pormenores da vida de Florence são
fornecidos por ela própria, em carta dirigida a Mr.
Harrison em maio de 1872. Diz a carta: "Tenho 16 anos de
idade. Desde a minha infância vejo os espíritos e
ouço-os falar. Tinha o costume de sentar-me a sós e
conversar com eles. Eles me cercavam e eu os tomava por
pessoas vivas. Como ninguém os via nem ouvia, meus pais
procuraram inculcar em mim a idéia de que tudo era
produto de minha imaginação. Todavia não conseguiram
modificar o meu modo de pensar a respeito do assunto e
foi assim que passei a ser considerada como uma menina
excêntrica. Na primavera de 1870 fui convidada a visitar
uma amiga de colégio. Ela me perguntou se eu já ouvira
falar de Espiritismo, acrescentado que seus pais e ela
se reuniam em torno de uma mesa. Nessa situação obtinham
certos movimentos; disse que, se eu consentisse, ainda
naquela tarde ensaiariam uma experiência comigo".
Miss Cook pediu permissão a sua mãe e, em seguida,
realizaram a primeira sessão, obtendo-se a comunicação
de um espírito que se dizia ter sido a sua tia. Mais
tarde, quando a jovem ficou em pé junto a mesa, esta se
ergueu a uma altura de 4 pés. Miss Cook dá continuidade
ao seu relato: "Na segunda sessão os espíritos nos deram
provas de identidade, mas não chegamos a ficar de todo
convencidas. Por fim, recebemos por tiptologia, uma
comunicação orientando-nos para que deixássemos o
aposento em penumbra. Eles me ergueriam e dariam comigo
volta à sala. Não consegui conter o riso. Aquilo não era
possível. Entretanto, decidiu-se apagar a luz. Apesar
disso, a claridade que entrava pela janela não deixou a
sala inteiramente às escuras. De imediato senti que
alguém me tirava da cadeira, e, no instante seguinte,
fui erguida até o teto, fato que todas as pessoas
presentes na sala puderam ver. Sob meu espanto,
transportaram-me sobre as cabeças dos assistentes, até
que fui posta sobre uma mesa existente no extremo da
sala. Minha mãe indagou se podíamos obter esse fenômeno.
A mesa respondeu que sim, visto que eu era médium.
Reunimo-nos em nossa casa. Os espíritos quebraram a
nossa mesa e duas cadeiras, fazendo ainda outros
estragos. Em vista disso, resolvemos que, de modo algum
tornaríamos a realizar sessões. Então os espíritos
começaram a nos atormentar, atirando sobre mim livros e
outros objetos; as cadeiras passeavam sozinhas pela
sala, a mesa se erguia violentamente, enquanto fazíamos
as refeições, e fortes ruídos eram ouvidos durante a
noite, fazendo-nos estremecer de medo. Por fim nos vimos
obrigadas a nos reunirmos em torno da mesa e a tentar um
diálogo com eles.
Os espíritos disseram que fôssemos a Navarino Street,
74" onde existia uma sociedade espírita. O endereço
estava certo. Lá encontramos Mr. Thomas Blyton que nos
convidou a assistir a uma sessão onde entrei em transe
e, por incorporação, uma entidade disse aos meus pais
que, se contássemos com o auxílio de Mr. Herne e Mr.
Williams, obteríamos comunicações de valor. Reunimo-nos
várias vezes e, finalmente, obtivemos os fenômenos
prometidos. O espírito que dirigiu a sessão disse
chamar-se Katie King".
No dia 21 de abril de 1872, em sessão organizada para
estudos de sua mediunidade, conforme ata publicada no "The
Spiritualist", ouviu-se um bater de vidros da janela sem
que ninguém descobrisse a causa. Então ouviu-se a voz de
um espírito que disse: "Mr. Cook, é preciso que façais
desobstruir o canal da calha, se desejais evitar que os
alicerces da casa sofram". Surpresos, os presentes
procederam a exame imediato, havendo a confirmação do
que fora dito. No dia seguinte, em outra sessão, o
espírito Katie King se materializou parcialmente pela
primeira vez. Katie mostrou-se na abertura da cortina e
falou durante alguns minutos, ocasião em que os
presentes puderam acompanhar o movimento de seus lábios.
Florence Cook foi a primeira médium entre os médiuns
ingleses a obter materializações integrais em plena luz.
Com o avanço das experiências, Florence, que antes, nas
materializações parciais permanecia consciente, passou a
cair em transe à medida que Katie King ia adquirindo
domínio da situação e conseguindo-se mostrar mais
perfeitamente. Seu rosto a princípio dava a impressão de
ser oco por trás. Mais tarde preencheu-se, os crepes
ectoplásmicos se tornaram menos abundantes e, um ano
depois, ela já conseguia caminhar do lado de fora da
cabine. Quando lhe pediram para se deixar fotografar à
luz de flashes, observou-se que a sua semelhança com
Florence era muito grande. Era um problema, e, para
provar que era um ser distinto de Miss. Cook, ela
alterou a cor de sua face para tons de chocolate e
azeviche. Em uma experiência feita logo em seguida, a
médium foi amarrada apertadamente pelos assistentes no
interior do gabinete. Depois foi observada toda uma
gradação de diferenças entre ela e a médium. Estava
reservado a Sir William Crookes fornecer as provas
definitivas de que Katie King tinha uma existência à
parte da de Miss Cook.
É preciso consignar que foi a própria Florence quem
procurou o professor Crookes a fim de solicitar-lhe que
investigasse a sua mediunidade. Eis como ela narra o
episódio: "Fui à casa de Mr. Crookes sem dizer nada aos
meus pais nem aos meus amigos. Ofereci-me como um
sacrifício voluntário perante a sua incredulidade. Pouco
antes se dera o desagradável incidente com Mr. Volckman.
Os que não conheciam o fenômeno dirigiam palavras cruéis
contra mim. Mr. Crookes fizera um comentário que me
atormentava e foi por isso que me decidi a ir
procurá-lo. Ele me recebeu e eu lhe disse: - Já que
acreditais que sou uma impostora, se quiserdes virei
submeter-me a experiências em vossa própria casa. Vossa
esposa poder vestir-me como quiserdes e deixarei
convosco o que tiver trazido. Podereis vigiar-me como
vos aprouver; submeter-me-ei às experiências que
desejardes, de modo que vos contenteis em todos os
sentidos. Só imponho uma condição: se verificardes que
sou agente de uma mistificação, denunciai-me
publicamente; mas se vos certificardes de que os
fenômenos são reais e de que eu mais não sou que o
instrumento de forças invisíveis, isso direis ao público
de modo que todo o mundo tome conhecimento da verdade.
William Crookes aceitou o repto, disso resultando um dos
mais tumultuosos e dramáticos episódios da História do
Espiritismo.
Após da despedida do espírito Katie King, a mediunidade
de Miss Florence foi utilizada por outra entidade que
dizia chamar-se Marie, a qual, por mostrar-se cantando e
dançando, foi denominada Marie, a dançarina. Em 1899,
atendendo a um convite da Sphiny Society, de Berlim,
Miss Cook já então Mrs. Corner pelo casamento, assentiu
em realizar algumas sessões, nas quais Marie se
materializou e produziu fenômenos sensacionais. Por essa
altura Florence já se havia casado, em 1874, com um
cavalheiro chamado Elgie Corner e vivia em Usk, no País
de Gales, onde teve vários filhos.
Em 1904, William Crookes recebeu uma carta, datada de 24
de abril, na qual era-lhe comunicado o falecimento de
Mrs. Corner. Ele respondeu expressando viva simpatia e
declarando ainda que a vida post-mortem muito devia,
quanto à sua certeza, à mediunidade da antiga Miss
Florence Cook. Com esse episódio se encerra uma vida que
conheceu tanto sensacionalismo quanto o das grandes
atrizes da atualidade. A Doutrina Espírita deve eterna
gratidão à menina de 15 anos, que, sacrificando sua
juventude nos laboratórios dos sábios, prestou os mais
relevantes serviços à comprovação científica da imortal
obra de Allan Kardec.
Fonte:http://www.feparana.com.br/biografia.php?cod_biog=97
Espíritas!
Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruí-vos,
eis o segundo.
Copyright 2011 Casa dos
Humildes
Direitos reservados
