A Vida e a obra de Francisco Javier
Francisco de
Jassu y Xavier nasceu em 7 de abril de 1506 no
Castelo de
Xavier, no reino de Navarra. Na época, Navarra
era o único reino basco
independente. Seu ano de nascimento coincide com
o ano do falecimento de Cristóvão Colombo.
Outros, como Vasco da Gama, que chegou em 1497
em Calcutá, e Fernão de Magalhães, que em 1521
morreu nas Filipinas.
Francisco era o filho mais novo de María de
Azpilcueta, única herdeira dos
bens e do castelo dos Xavier, um dos mais
antigos clãs de nobreza do reino
de Navarra, e de Juan de Jassu, administrador
das finanças do reino e
presidente do Conselho Real do reino de Navarra.
Em 1512, Navarra, que
fazia parte do País Basco, cobiçado por França e
Espanha, perde sua independência.
Depois de 700 anos de independência, em 1515 é
oficialmente incorporado
ao território da coroa de Castela, León e
Granada. O pai de Francisco
sobreviveu a essa derrota por poucos meses.
Depois do juramento de fidelidade
a Carlos V, em 1524, os Xavier receberam seus
bens de volta.
Em 1525 encontramos Francisco em Paris, uma
cidade com uns 300 mil
habitantes e perto de três a quatro mil
estudantes vindos de todas as partes
do mundo. Dentro do padrão dos estudos
universitários da época, a família
Xavier podia prever uns 10 anos: um ano de
propedêutico, três anos e meio de filosofia até o grau de Mestre, mais
três anos de ensino e depois
Regente num dos colégios e depois mais quatro
anos de estudos na faculdade
escolhida: teologia, direito ou medicina. A
língua, na sala de aulas,
era o latim. Depois do fracasso político da
família, Francisco foi escolhido
para trazer glórias acadêmicas para os Xavier,
talvez como o tio materno,
Até conseguir o diploma de Magister Artium,
Francisco morava e estudava
no colégio Santa Bárbara3. Por muito tempo.
Pedro Fabro foi um dos
seus colegas de quarto. Ficaram logo grandes
amigos. Em 1529, essa convivência
harmoniosa foi abalada com um novo companheiro
de quarto,
Inácio de Loyola (1491-1556), ex-comandante do
forte de Pamplona. Inácio
combateu, no lado de Castela, os irmãos de
Francisco que lutavam pela
independência de Navarra. Os ferimentos da
guerra, em 1521, tinham
acabado com sua carreira militar e o conduziram
para um itinerário espiritual
sui generis.
Inácio não era um desconhecido em Paris. Em
1529, depois da Páscoa,
pregou seus Exercícios Espirituais ao Mestre
Juan de Castro e a dois estudantes
de teologia, Pedro de Peralta e Amador de
Elduayen. Em julho, os três
deixaram seus trabalhos acadêmicos, distribuíram
seus bens entre os pobres
e seus livros entre colegas e se retiraram ao
albergue dos sem-teto no hospital
Saint-Jacques, pedindo esmolas de porta em
porta. Quando se descobriu a
mão de Inácio nessas conversões, ele foi
procurado pela Inquisição.
Em setembro de 1529, quando Inácio – homem
maduro e com opções de
vida bem definidas – bateu à porta do colégio
Santa Bárbara, o escândalo
já tinha sido arquivado. Com muita paciência e
com o saber de um comandante
de guerra, soube entrar na Fortaleza dos outros
pelo lado fraco.
Assim se tornou, depois de três anos, pai
espiritual de Francisco Xavier.
De imediato, Francisco desprezava Inácio por
motivos políticos, familiares
e religiosos. Considerou Inácio um homem
esquisito, com formas de piedade
pedantes, das quais se aproveitou para fazer
suas piadas. Francisco
se orgulhava da antiguidade de sua nobreza. Por
um bom tempo, manteve
um cavalo e um empregado por sua conta. Gastou
sempre mais que seu
irmão Miguel, agora chefe dos bens dos Xavier,
lhe mandou. Em suas dificuldades
financeiras, Inácio muitas vezes o socorreu.
Inácio teria dito que
“esse jovem Francisco era a massa mais dura que
ele jamais amassou”4 .
Em 1530, Francisco Xavier se tornou Mestre,
Magister Artium. Era considerado
um colega simpático e inteligente, farrista
alegre, porém responsável.
De 1530 a 1534 ensinava filosofia como Regente
do Colégio Beauvais,
onde agora também morava. Em Paris, vivia-se
naquele momento uma
efervescência renascentista e humanista,
inspirada em Erasmo. O rei da França,
Francisco I, introduziu novas cadeiras na
universidade, pagou os professores
e deixou os estudantes assistirem gratuitamente
às aulas. Essas, chamadas
“cadeiras reais”, eram sempre superlotadas.
Tradição e inovação, continuidade
católica com reformas e ruptura protestante
começavam a travar,
aberta e clandestinamente, uma luta ideológica
aproveitada pelos interesses
políticos dos governantes. Nos anos 1531 e 1532,
Jean Calvino esteve várias
vezes no colégio Santa Bárbara. Seu pensamento
encontrou ressonância crescente
até a sua expulsão da Universidade de Paris, em
1534.
Nessa época ocorreu a conversão de Francisco
Xavier. Ainda em 1531 mandou
registrar sua nobreza em cartório que o
habilitaria para uma grossa
prebenda na catedral de Pamplona. Sua carreira
eclesiástica estava programada.
Desde cedo pensava terminar seus estudos com o
doutorado e depois
ser membro do Capítulo Catedral de Pamplona,
onde tinha parentes importantes.
A morte de sua mãe, em 1529, e quatro anos mais
tarde, de sua irmã
Madalena, abadessa das Clarissas Pobres, não o
abalaram excessivamente.
Entre 1532 e 1533, Francisco se converteu,
participou do pequeno núcleo
da futura Companhia, fez seu exame de
consciência diário, sua confissão
geral, e depois semanalmente sua confissão
devocional, comungando, em
seguida, na Missa. Numa carta ao irmão Francisco
(25/3/1535) reconhece
não só os socorros financeiros que recebeu de
Inácio, mas sobretudo seus
conselhos, quando andava em más companhias, e
suas advertências mediante
determinadas heresias. Na primeira missa de
Pedro Fabro, os sete
integrantes da Companhia emergente se reuniram e
depois decidiram os
próximos passos. Eram Inácio, Fabro e
Xavier, Bobadilla ,
Rodrigues, Laynez, Salmeron .
Discutiram o alcance dos seus
votos de pobreza, castidade e de peregrinação à
Terra Santa. Desde os
primórdios da Companhia, a mística da
peregrinação marcou a sua
espiritualidade. Na impossibilidade dessa
peregrinação, se colocariam à
disposição do papa, e dedicariam seu tempo à
conversão dos infiéis e à
cura dos doentes. Pelos serviços sacramentais
não aceitariam qualquer
remuneração. Para terminar os estudos teológicos
em função de sua ordenação
sacerdotal, decidiram a partida de Paris para a
festa da conversão de
São Paulo, dia 25 de janeiro de 1537. Dois anos
e meio antes, no dia 15 de
agosto de 1534, dia da Assunção de Nossa
Senhora, subiram a colina do
Montmartre e, na capela dos mártires, a meio
caminho da subida, consagraram
seus votos e propósitos, numa missa celebrada
por Fabro, até então
o único sacerdote da turma. Logo em setembro,
Francisco fez os Exercícios
Espirituais. Por causa das férias escolares, os
fez como o último dos companheiros.
Com os votos no Montmartre e os Exercícios com
Inácio se
fecha o ciclo da definição vocacional de
Francisco Xavier e se abre o novo
caminho da pobreza e da cruz de Cristo.
Quando em 1536, os prelados da Catedral de
Pamplona elegeram Francisco,
com unanimidade, membro do capítulo dessa
Catedral, chegaram tarde. A
prebenda de Pamplona já não o atraiu mais.
Terminados os estudos de teologia,
Francisco e os companheiros já estavam a caminho
de Veneza.
Antes de iniciar a peregrinação de sua vida, em
meados de novembro de
1536, os nove mestres de Paris distribuíram
discretamente a maior parte
dos seus bens entre os pobres. Em Veneza se
encontraram com Inácio. De
lá sairiam os navios para a Terra Santa, mas só
em junho ou julho. Na
Semana Santa se encontraram os agora 12
companheiros em Roma. Paulo
III lhes deu a licença de receber a ordem
sacerdotal de qualquer bispo e de viajar à Terra
Santa. De volta a Veneza, Francisco e os
companheiros receberam em 24 de junho de 1537 a ordenação
sacerdotal. Por causa de guerra
com os turcos, a peregrinação para a Cidade
Santa não se realizou. Iniciaram
seu trabalho apostólico cuidando dos doentes e,
agora já ordenados
sacerdotes, com sermões públicos, atividades
pastorais e ensino em várias
cidades no Norte da Itália.
Na primavera de 1538, os companheiros se
reuniram novamente com Inácio,
agora em Roma, onde sofreram calúnias, denúncias
e acusações. Mas Paulo
III os recebeu com simpatia, mandou-lhes atestar
sua ortodoxia e lhes
conferiu trabalhos de reformas pastorais na
Itália e na Escócia. Desde 1539,
Francisco serviu Inácio de Loyola como
secretário da Companhia. Em setembro
do mesmo ano, as Constituições da “Companhia de
Jesus” (Societas
Jesu) foram reconhecidas por Paulo III e, mais
tarde (27/9/1540),
canonicamente confirmadas. Em 1538, Carlos V
pediu ao papa missionários
para as Índias Ocidentais; um ano mais tarde,
Pedro de Mascarenhas,
o emissário de Dom João III, rei de Portugal,
pediu missionários para as
Índias Orientais. Simão Rodríguez e Nicolás
Bobadilla foram destinados
para a missão das Índias. Mas Bobadilla voltou
muito doente de Nápoles.
No dia 14 de março de 1540, Inácio nomeou
Francisco Xavier para substituir
Bobadilla. Um dia mais tarde, Rodríguez e Xavier
partiram, com o
emissário de D. João III, de Roma para Lisboa.
Na corte, enquanto esperavam
o navio para as Índias, os dois impressionaram
tanto pela sua competência
humana que o rei não queria mais deixá-los
viajar. Rodríguez
teve de ficar. No dia 7 de abril de 1541, seu
aniversário, com 35 anos
portanto, Xavier partiu em companhia de dois
sacerdotes, o italiano Micer
Paulo Camerte e o português Francisco Mansilhas,
junto com o novo governador,
Martím Afonso de Souza, e mais 600 soldados e
marinheiros para as
Índias. Viajaram na nau “Santiago”, que lembrava
o Mata-mouros dos ibéricos
e sua conquista espiritual sem fronteiras.
Alguns anos antes, no hospital
de Veneza, como relatou Laynez, Francisco
acordou no meio da noite dizendo:
“Jesus, como sou atordoado. Sonhei que carreguei
um indiano nas costas,
e ele era tão pesado, que seu peso quase me
esmagou”. Lá viajou o peregrino
pobre e frágil, com os documentos pontifícios de
um Núncio Apostólico bem
escondidos, para conferir sonho e pesadelo, mito
e realidade.
II. Itinerário missionário entre a chegada de Francisco de Xavier em Goa, 6
de maio de 1542, e a sua
morte, em Sancião, na porta da China, no dia 3
de dezembro de 1552,
É no capítulo "Amai os vossos inimigos" em O
Evangelho segundo o espiritismo que Francisco
Xavier disserta a respeito do duelo, afirmando
que "Quando a caridade regular a conduta dos
homens, eles conformarão seus atos e palavras a
esta máxima: `Não façais aos outros o que não
quiserdes que vos façam.' "
Da sua desencarnação à mensagem, ditada em
Bordéus, em 1861, estabelece-se um período de
309 anos.
Fonte: Enciclopédia Mirador
Internacional, vol. 15
Grandes personagens da História Universal - vol.
5.
Espíritas!
Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruí-vos,
eis o segundo.
Copyright 2011 Casa dos
Humildes
Direitos reservados
