Vida e a obra de Manoel Philomeno
Em
14 de julho de 1878 nascia, em Jangada, município do
Conde, Estado da Bahia, o discípulo fiel da seara de
Jesus, Manoel Philomeno de Miranda.
Conheceu o Espiritismo através do médium Saturnino
Favila, em 1914. Por essa época conheceu José
Petitinga, estabelecendo relações com ele, ao mesmo
tempo em que começava a freqüentar as sessões da
União Espírita Baiana que havia sido recentemente
fundada, em 1915.
Discípulo de José Petitinga, tinha a mesma maneira
especial de tratar e doutrinar os assistentes das
sessões da "União", sempre baseadas num magistral
versículo evangélico.
Desde 1918 Miranda participava assiduamente das
sessões, interessado superiormente nos assuntos
doutrinários do Espiritismo e um dos mais firmes
adeptos dos seus ensinos.
Fez parte da diretoria da União Espírita Baiana
desde 1921 até o dia da sua desencarnação, em 14 de
julho de 1942. Também presidia as sessões mediúnicas
e trabalhos do Grupo Fraternidade.
Durante esse longo período Miranda foi um baluarte
do Espiritismo. Onde estivesse, aí estaria a
doutrina e sua propaganda exercida com proficiência
de um douto, um abnegado. Delicado no trato, mas
heróico na luta.
Publicou, sem o seu nome, as obras "Resenha do
Espiritismo na Bahia" e "Excertos que justificam o
Espiritismo", além do opúsculo "Porque sou Espírita"
em resposta ao Pe. Huberto Rohden.
Sofrendo do coração, subia as escadas a fim de não
faltar às sessões, sorrindo e sempre animado. Queria
extinguir-se no seu cumprimento. Sentia imensa
alegria em dar os seus dias ao serviço do Cristo.
Sobre as suas últimas palavras, assim escreve A M.
Cardoso e Silva: "Agora sim! Não vou porque não
posso mais. Estou satisfeito porque cumpri o meu
dever. Fiz o que pude... o que me foi possível. Tome
conta dos trabalhos, conforme já determinei." Era
antevéspera da sua desencarnação.
Querido de quantos o conheceram - porque quem o
conhecia não podia deixar de amá-lo -, até o último
instante demonstrou a firmeza da tranqüilidade dos
justos, proclamando e testemunhando a grandeza
imortal da Doutrina Espírita.
Divaldo Pereira Franco nos conta como iniciou seu
relacionamento com o amoroso Benfeitor, conforme
relato no livro Semeador de Estrelas, da escritora e
médium Suely Caldas Schubert:
"No ano de 1950 Chico Xavier psicografou para mim
uma mensagem ditada pelo Espírito José Petitinga e
no próximo encontro uma outra ditada pelo Espírito
Manoel Philomeno de Miranda. ( ... )
"No ano de 1970 apareceu-me o Espírito Manoel
Philomeno de Miranda, dizendo que, na Terra, havia
trabalhado na União Espírita Baiana, tendo exercido
vários cargos, dedicando-se, especialmente à tarefa
do estudo da mediunidade e da desobsessão.
"Quando chegou ao Mundo Espiritual foi estudar em
mais profundidade as alienações por obsessão e as
técnicas correspondentes da desobsessão.
( ... )
"Convidado por Joanna de Ângelis, para trazer o seu
contributo em torno da mediunidade, da obsessão e
desobsessão, ele ficou quase trinta anos realizando
estudos e pesquisas e elaborando trabalhos que mais
tarde iria enfeixar em livros.
"Ao me aparecer, então, pela primeira vez, disse-me
que gostaria de escrever por meu intermédio.
"Levou-me a uma reunião, no Mundo Espiritual, onde
reside, e ali, mostrou-me como eram realizadas as
experiências de prolongamento da vida física através
da transfusão de energia utilizando-se do
perispírito.
"Depois de uma convivência de mais de um mês,
aparecendo-me diariamente, para facilitar o
intercâmbio psíquico entre ele e mim, começou a
escrever "Nos Bastidores da Obsessão", que são
relatos, em torno da vida espiritual, das técnicas
obsessivas e de desobsessão. ( ... )
"Na visita que Manoel Philomeno me permitiu fazer à
Colônia em que ele se hospedava, levou-me a uma
curiosa biblioteca. Mostrou-me como são arquivados
os trabalhos gráficos que se fazem na Terra.
Disse-me que, quando um escritor ou um médium, seja
quem for, escreve algo que beneficia a Humanidade -
no caso do escritor - é um profissional, mas, o que
ele produz é edificante, nessa biblioteca fica
inscrito, com um tipo de letra bem característico,
traduzindo a nobreza do seu conteúdo. À medida que a
mente, aqui, no planeta, vai elaborando,
simultaneamente vai plasmando lá, nesses fichários
muito sensíveis, que captam a onda mental e tudo
imprimem.
"Quando a pessoa escreve por ideal e não é
remunerado, ao se abrirem esses livros, as letras
adquirem relevo e são de uma forma muito agradável à
vista, tendo uma peculiar luminosidade. Se a pessoa,
porém, o faz por ideal e estando num momento
difícil, sofrido, mas ainda assim escreve com
beleza, esquecendo-se de si mesma, para ajudar a
sociedade, a criatura humana, ao abrir-se o livro,
as letras adquirem uma vibração musical e se
transformam em verdadeiros cantos, em que a pessoa
ouve, vê e capta os registros psíquicos de quando o
autor estava elaborando a tese.
"O oposto também é verdadeiro. ( ... )
"Eis porque vale a pena, quando estamos desalentados e sofridos, não desanimarmos e continuarmos as nossas tarefas, o que lhes dá um valor muito maior. Porque o trabalho diletante, o desportivo, o do prazer, já tem, na própria ação, a sua gratificação, enquanto o de sacrifício e de sofrimento exige a abnegação da pessoa, o esforço, a renúncia e, acima de tudo, a tenacidade, para tornar real algo que gostaria que acontecesse, embora o esteja realizando por entre dores e lágrimas."
Fonte :"Projeto Manoel P. de Miranda - Reuniões Mediúnicas" - Dados Biográficos e "O Semeador de Estrelas", de Suely Caldas Schubert, cap. 12 - ambos da Editora LEAL.
Espíritas!
Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruí-vos,
eis o segundo.
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