a Vida e a obra De Napoleão de Araujo
Retornou à pátria
espiritual no dia 30 de novembro de 2003, o grande
amigo de todos, NAPOLEÃO DE ARAUJO, o “Napo”
(apelido que lhe deram seus familiares) - ou “o
Coronel”, como era chamado pelos carentes que,
diariamente, pela manhã bem cedinho, compareciam à
porta da sua casa, para a primeira refeição, o “café
da manhã” preparado pelo Napoleão, para que pudessem
começar o dia com uma alimentação, recebendo, como
“sobremesa”, palavras de carinho e de força, que
brotavam do coração do “Coronel” - em nome do amor
ao próximo - permitindo um colorido espiritual à
substanciosa refeição; portanto, um homem bom, na
verdadeira acepção do termo e de imensas virtudes,
todas elas inclinadas para o bem.
Verdadeiramente “um exemplo de amor”!... Assim se
apresenta Napoleão de Araujo, filho de Eduardo
Schell Araujo e de Stella Araujo, nascido no dia 10
de março de 1935, na cidade de Ponta Grossa (terra
de tantos brasileiros ilustres, berço de verdadeiros
tarefeiros das lides espiritistas, infatigáveis
obreiros do Senhor).
Como esposa, Elci Cunha de Araújo (a saudosa Dona
Elci, tanto quanto ele, por todos, amada),
igualmente na pátria espiritual, antecedendo-o em
dez meses, apenas e, como filhos consangüíneos,
conseguimos anotar: Eduardo, Eleine, Elciane, Edson,
Elisiane, Emanuel, Everli, Eloise, Eveline e Endel
e, mais os “filhos do coração” - como ele mesmo os
tratava (adotados): Eva, Leonilda, Sônia, Carlos,
Lourenço e Ana, mais vinte e oito netos... talvez
mais alguns que, por um lapso de memória, ora não
conseguimos lembrar (pois que a todos tivemos a
ventura de conhecer e com a maioria conviver, em
alguns momentos de muita alegria, quando
retornávamos de alguma atividade ou tarefa - quando
possível -, no cumprimento da sua luminosa Agenda).
Vamos registrar aqui algumas das suas costumeiras
atividades, que julgamos bastante interessantes
realizadas por ele, com “a simplicidade que Deus lhe
deu”, qual sejam, a de juntar todos os seus filhos,
colocá-los numa Kombi (bege) - naturalmente tendo ao
seu lado a sua “fiel escudeira”, a esposa, Elci -
dirigir-se às favelas para cortar o cabelo das
crianças (e de alguns adultos, pois que, em muitas
ocasiões se apresentavam, desejosos do “retoque”),
ocasião em que a “família da Kombi” - o “barbeiro” e
seus “aprendizes” - era recebida com enorme alegria,
em clima de festa.
Era quando Elci aproveitava para conversar com as
mulheres, orientando-as sobre assuntos de interesse
da família, assim como higiene, espiritualidade,
relacionamento etc., além de trabalhos manuais para
ocupação de forma útil, do tempo disponível, no lar.
Napoleão, por sua vez, depois de “pelar” muitas
cabeças, passava a atender os homens, com eles
dialogando.
Mas o “passeio” - ou “treinamento” - dos filhos, não
parava aí, pois, com freqüência os levava a
Orfanatos, Asilos e Hospitais, para que - segundo o
Eduardo (o seu filho mais velho) - “ entendêssemos
que o amor, quando se divide, se multiplica, gerando
bênçãos e felicidade para todos...”
Vamos permitir que o Eduardo fale mais um pouco
sobre seus pais: “Eles queriam mostrar que o amor
também poderia ser dividido com tudo que Deus criou.
Ensinaram-nos a amar a natureza e a todos os seres
vivos nos inúmeros piqueniques que fizemos na beira
dos rios, cachoeiras e na mata virgem; nos ensinaram
a amar e respeitar cada minúscula forma de vida pela
expressão de Deus que elas representam.
Afastar uma formiga com carinho, colocar uma aranha
sobre o papel e levar para o jardim, cultivar uma
horta, plantar uma árvore, uma roseira, uma
jabuticabeira - mesmo sabendo que só dali uns quinze
ou vinte anos alguém iria saborear seus frutos.”
E suas lições de como dividir o amor para que ele se
multiplicasse continuaram.
Cada pessoa que trabalhava em sua casa, recebia, na
sua, a visita da família Araujo (o casal e as
crianças), pois queriam conhecer a sua moradia e
condições de vida... Vimo-los, à época em que
trabalhamos juntos, na Casa da Criança Francisco de
Assis (lá pelos idos de 1968 até 1976) - se não me
falha a memória - em várias ocasiões, Napoleão e
Elci - embora com uma família que mais parecia um
batalhão - arregaçarem as mangas, ajudando os seus
“braçais” (as pessoas que trabalhavam em sua casa),
para que pudessem conseguir um terreninho, depois,
erguerem as suas casinhas (nessas ocasiões o casal
sempre se fazia acompanhar dos filhos para que cada
vez mais entendessem o significado do “amor que se
multiplica”).
O casal amigo ensinou a seus filhos a cuidar, com
muito amor e carinho, de alguns parentes que,
doentes, foram acolhidos em sua casa (entre os quais
alguns deles podemos identificar, uma vez nos
tornamos amigos deles, também: a vó Stella (mãe do
Napoleão), o vô Eduardo (pai do Napoleão), o tio
Antônio, o vô Maneco (pai da Elci) e o Carlinhos
(seu sobrinho), todos dependentes de ajuda e
incapazes de locomover-se pelos próprios meios; além
de tantos outros que, durante alguma enfermidade
recorreram ao “grande hospital de amor”, assim
denominada a casa da família Napoleão, nessas
ocasiões...
“Mas” - complementa Eduardo “uma lição de amor ainda
maior e mais sublime, estava por vir: Por mais de
dez anos foi deixando a sua vida e carreira
profissional de lado para cuidar de sua amada, a
nossa mãe, que pouco a pouco, recebia novas
provações e limitações. Primeiro a diabetes, depois
a síndrome de Jogre (sem saliva e secreções no corpo
todo), depois o câncer, a amputação da perna, a
perda de uma vista....
E, ela foi nos mostrando a cada nova limitação, como
superá-la, encontrando uma outra ocupação útil do
tempo que ainda pudesse ajudar alguém.
Ela partiu para o plano espiritual em janeiro
último, tendo alguns dias antes proferido palestra
num Centro Espírita e, com a agenda da sua Clínica
de Psicologia, lotada”. Para aqueles que não sabem,
Napoleão era Engenheiro e Professor da Universidade
Federal do Paraná, quando o conhecemos, e a sua
esposa, a nossa Elci, bem mais tarde, formou-se em
Psicologia. (Na sua Clínica, “pagava” quem podia,
uma vez sua atenção se voltava sempre e mais para o
necessitado que recorria aos seus préstimos
profissionais).
Será que se precisa dizer mais? Sim, pois nem sequer
mencionamos algumas das suas inúmeras tarefas
executadas, na condição de um grande e excepcional
militante do Movimento Espírita!...
Inúmeras e variadas tarefas, encargos e missões
foram, pela Causa Maior, atribuídas ao competente
Napoleão... No Centro Espírita, na Federação
Espírita do Paraná...
Em nível de Movimento Espírita Estadual... Até
transferir-se para o plano espiritual, foi o assíduo
Assessor de Informática da FEP (o site da FEP muito
deve à sua invejável competência e dedicação),
Conselheiro do Conselho Federativo Estadual (o
segundo de seus Membros mais antigo, por longos
anos, portanto). Estava vinculado à Sociedade de
Estudos Espíritas “Francisco de Assis”.
Na Federação Espírita do Paraná, além de
Conselheiro, Presidente de uma Região Federativa
(1a. URE, com sede na Capital, antes do seu
desdobramento, quando abrangia todas as regiões hoje
sob a responsabilidade das URE's Metropolitanas, 1ª
e 3a. Região); na Federação (Conselho Diretor e/ou
Diretoria Executiva), exerceu o cargo de Secretário
Geral, de Presidente e de Vice Presidente, em várias
ocasiões, a partir de 1981 a 1986 e de 1989 a 2000
(portanto, durante dezesseis anos), além de cargos
de Assessoria da Presidência.
Até os seus últimos dias no corpo físico, deu a sua
grande contribuição à Liga de Historiadores e
Pesquisadores Espíritas. Registre-se, também o fato
do seu grande desempenho em favor do Trabalho de
Unificação do Movimento Espírita (Estadual e
Nacional). Na atual Diretoria da Federação estava no
cargo de Diretor do Departamento de Apoio às URE´s e
de Expansão do Movimento Espírita.
Deixou sua “marca registrada” em quase todos os
Departamentos e Serviços da Federação, entre as
quais, na Livraria, no Jornal “Mundo Espírita”, nas
Obras Sociais e Assistenciais mantidas pela
Federação. Ressalte-se o respeito e o carinho com
que tratava os funcionários da FEP (no que era
correspondido).
Napoleão foi ainda (e por certo há de continuar
sendo) entusiasmado discípulo de Lázaro Luis
Zamenhof, portanto, Esperantista.
Na qualidade de médium, tanto na psicofonia, quanto
na psicografia, intermediou muitas e elevadas
mensagens, especialmente nos momentos em que se
faziam necessárias, por instrutivas.
“(...) Não há vidas sucessivas mas somente Vida,
perene, continuada, dirigida para o progresso. Há
sim sucessivos períodos de estágio necessário no
corpo para burilarmos os nossos espíritos”. (Guaracy
Paraná Vieira - pequeno trecho de uma página,
intitulada: “Que vida é essa?”, psicografada por
Napoleão de Araujo, em 31/03/93, no Centro de
Estudos Espíritas “Francisco de Assis”, em
Curitiba,Pr.) Outra pequena anotação, do mesmo autor
espiritual, através da psicografia do Napoleão,
ditada na mesma Sociedade Espírita, datada de
20/10/93: “Que morte é essa”?
“(...) O corpo físico, pois, é um excelente veículo
para que se efetue o progresso. Mas daí a termos
supervalorizado o aspecto da separação do Espírito e
do corpo não há maior validade. O homem esclarecido
pela Doutrina dos Espíritos logo compreenderá este
aspecto do fenômeno mais certo de ocorrer a cada ser
encarnado”
(...). Em face do “espaço” que nos foi concedido,
concluímos este sucinto “relato”, guardando a
certeza de que o nosso grande Napoleão, “um exemplo
de amor” - como bem é definido pelos seus filhos -
por certo estará sendo lembrado por muitos dos seus
amigos, admiradores e beneficiados, em vários
momentos e ocasiões, dado os seus grandes dotes de
cultura, de sabedoria, de bondade e de
companheirismo. “Entre saber e fazer existe singular
diferença; quase todos sabem, poucos fazem. - Aí
reside, no campo do serviço cristão, a diferença
entre a Cultura e a prática, entre Saber e fazer”.
(Emmanuel)
Muito de acordo com o nosso estimado Napoleão, “o
coronel”...
Fontes: http://www.espiritismogi.com.br/biografias/napoleao_araujo.htm
Espíritas!
Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruí-vos,
eis o segundo.
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