a Vida e a obra De joão Evangelista
Da
família Zebedeu, ou Zabdias, de um "pescador
bem-sucedido e empresário de vários barcos" (4),
foram escolhidos por Jesus dois apóstolos: Tiago
Maior e João. A cidade era a pequena Betsaida.
Segundo Ernest Renan, "eles estavam imbuídos de
energia e paixão. Jesus os havia apelidado, com
graça, de `filhos do trovão', por causa do zelo
excessivo com que, muitas vezes, teriam feito uso do
raio se dele pudessem dispor." (4)
João era adolescente, portanto idealista. Com Tiago,
seu irmão, e Pedro forma um comitê íntimo que se faz
presente em momentos muito especiais, durante a
trajetória terrena de Jesus.
Os irmãos conheciam as pregações do Batista e foi no
Tiberíades, no dia em que a primavera bordava
rendados pela praia, que o Rabi os convidou a
participar das alegrias da Boa-Nova,
transformando-se em "pescadores de homens". (4)
Humberto de Campos, pela psicografia de Francisco
Cândido Xavier, os descreve como "de temperamento
apaixonado. Profundamente generosos, tinham
carinhosas e simples, ardentes e sinceras as almas."
(3)
Magnetizados pelo olhar enérgico e carinhoso de
Jesus, aderem ao sublime convite. No idealismo
quente da sua juventude, João falava de seus planos
de renovar o mundo, de pregar o Evangelho às nações.
Sentia-se forte e bem disposto.
Mais tarde, ao derramar a cornucópia da sua saudade
no seu Evangelho, ele falaria dos tantos momentos de
êxtase e aprendizado com Jesus.
Ao descrever o encontro do Mestre com Nicodemus,
demonstra, com certeza, ter sido testemunha ocular.
Uma testemunha que talvez estivesse à porta, como
quem se encontra à espreita, velando pela eventual
proximidade de alguém que pudesse surpreender o
esclarecedor colóquio entre o Rabi Galileu e o
doutor da lei.
Quando narra o episódio das Bodas de Caná, João
parece reviver o adolescente, maravilhado ante um
Rabi pleno de sabedoria, que abençoa a união
esponsalícia com a água lustral da Sua presença e a
doçura do Seu amor.
Com Jesus, ele adentra "a casa de Jairo, o chefe da
sinagoga, cuja filha se encontrava nas malhas da
agonia..." (1) Há pouco, surpreendera o olhar
agradecido de Verônica, a hemorroíssa, curada ao
tocar o manto do Mestre.
E quando agosto "derrama sua taça de luz e calor
sobre a terra" (1), ele acompanha o Rabi na íngreme
subida de 562 metros até o cume do Tabor. Após as 4
horas de marcha, ele dorme junto a Pedro e Tiago. A
canícula, o cansaço os vence.
Na madrugada que avança, vozes vibram no ar. A visão
sublime de Jesus, com as vestes brilhantes,
dialogando com Moisés e Elias, o faria mais tarde,
evocando a cena inesquecível, iniciar a sua
narrativa evangélica, escrevendo: "Nele estava a
vida e a vida era a luz dos homens, a luz
resplandecente nas trevas e as trevas não a
compreenderam." (1)
O seu Evangelho foi especialmente dirigido aos
cristãos que já conheciam a Mensagem. É o Evangelho
espiritual, no dizer do espírito Amélia Rodrigues.
João, jovem, assiste com Maria, os instantes de
agonia e morte do seu Mestre e Senhor, a cuja
dedicação Jesus entrega sua mãe: "Filho, eis aí a
tua mãe!" E desencumbiu-se da missão, oferecendo-lhe
"o refúgio amoroso de sua proteção".(3)
João foi com Pedro à Samaria, depois da ascensão de
Jesus, e mais tarde voltou a Jerusalém, trabalhando
na Casa do Caminho. Mereceu a prisão com Pedro e,
libertado, prosseguiu nas atividades.
Após se instalar em Éfeso, busca Maria e a abriga em
sua casa, doada por membro da família real de
Adiabene. "No alto da pequena colina, distante dos
homens e no altar imponente da Natureza, se
reuniriam ambos para cultivar a lembrança permanente
de Jesus. Estabeleceriam um pouso e refúgio aos
desamparados, ensinariam as verdades do Evangelho a
todos os espíritos de boa vontade e, como mãe e
filho, iniciariam uma nova era de amor, na
comunidade universal." (3)
Perseguido por Domiciano, foi enviado para Roma,
sendo depois exilado na ilha de Patmos, onde teve
ocasião de escrever o Apocalipse. Depois da morte de
Domiciano, voltou para Éfeso e aí morreu quase
centenário.
É o único dos apóstolos a desencarnar de forma
natural. A ele são atribuídas também 3 epístolas: a
primeira dirigida aos fiéis da Ásia menor e que,
segundo alguns, parece ter sido escrita como
prefácio ao quarto Evangelho; a segunda à senhora
Electa e seus filhos, qualificando-o alguma Igreja
na Ásia menor e a terceira, a Gaio, um rico cristão.
É uma carta íntima e repleta de gratidão.
No ocaso do século XII, João retorna ao cenário do
mundo, na figura de Francesco Bernardone, para se
tornar "o pobre de Assis".
"Francisco, ao largo da sua trajetória corporal,
tudo de si investiu para que o modelo crístico fosse
a sua referência, na sede que demonstrava de
segui-Lo, de imitá-Lo.
Trabalhou, sofreu, chorou muito, sem que tivesse
imposto a ninguém qualquer dor, qualquer sofrimento.
Ao contrário, ocultava suas lágrimas pessoais,
quando se tratava de atender a terceiros. Ele
conhecia e convivia com o Espírito do Cristo, mas
entendia que o semelhante deveria ver o Cristo por
meio das suas ações amorosas." (2)
Como o cantador de Deus, escreveu os doces versos
que o espírito Camilo denomina A carta magna da Paz,
que inicia com o "Senhor, faze-me um instrumento da
tua paz... Daí, desdobram-se rogativas corajosas e
estelares, desvelando a pujança das acrisoladas
virtudes do Pobrezinho, virtudes que marcariam sua
existência até os momentos finais da sua vida
terrena." (2)
É este mesmo João/Francisco/Amor que assina em
primeiro lugar os "Prolegômenos"de O livro dos
espíritos. O instrumento de Deus atende, outra vez,
ao chamado do Pastor e vem oferecer ao mundo o
Consolador.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VIII,
item 18, recorda a doçura do encontro de Jesus com
as crianças em que o Príncipe da Paz se detém a
atendê-las. Nas suas linhas podemos reconhecer o
autor do 4º Evangelho e especialmente quando assim
se expressa, referindo-se ao Mestre: "Ele foi o
facho que ilumina as trevas, a claridade material
que toca a despertar.(...)"
Fontes:
1. Franco, Divaldo P. As primícias
do reino, Sabedoria, 1967, cap. 12, 15 e 22.
2. Teixeira, J. Raul. A carta magna da paz,Fráter,
2002.
3. Xavier, Francisco Cândido. Boa nova, FEB, 1963,
cap. 4 e 30.
4. Renan, Ernest. Vida de Jesus, Martin Claret,
1995, cap. 9.
5. Reader's Digest. Depois de Jesus. O triunfo do
cristianismo, 1999,cap. 1, 2, 3.
Espíritas!
Amai-vos eis o primeiro. ensinamento; instruí-vos,
eis o segundo.
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