• Herculano Pires

     A vida e a obra de Herculano Pires

    O metro que melhor mediu Kardec.

    esta a definio de Emmanuel, daquele que era o orientador espiritual de Chico Xavier sobre Jos Herculano Pires. Desde o Plano espiritual aos dirigentes Espritas, palestrantes e escritores, todos , cada vez mais dizem da misso que teve Herculano Pires de restabelecer a pureza Doutrinria, tirar do seu meio todos enxertos msticos e supersticiosos que a desnaturam. Mas um campo que Herculano muito conheceu e divulgou, dentro do Espiritismo, e que pouco comentado a Mediunidade. Esta pgina se destina a divulgar as interpretaes de Jos Herculano Pires sobre a Mediunidade, tanto para os dirigentes como participantes de sesses medinicas. Visa, principalmente, trocar experincias para que se multipliquem, no Movimento Esprita, as sesses de Doutrinao e de Desobsesso, to teis quanto necessrias para esclarecer as entidades desencarnadas sofredoras e perturbadoras, bem como suas vtimas.
     

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    Jos Herculano Pires, o maior escritor esprita brasileiro, decididamente no se conformava com o que via: de um lado o Espiritismo sendo duramente atacado, e por outro, apaixonadamente defendido. O problema estava num aspecto comum entre os atacantes e defensores: em sua maioria desconheciam o prprio Espiritismo.
    Os adversrios partem do preconceito e agem por precipitao. Os espritas formularam uma idia pessoal da Doutrina, um esteretipo mental a que se apegaram (Introduo Filosofia Esprita).

    Guardo comigo a convico de que se baseie nessa anlise (que podemos tambm desfrutar no Curso Dinmico de Espiritismo) a sua maior motivao para o extenso e vigoroso trabalho que desenvolveu.
    Herculano escreveu muito, num trabalho extenso e intenso. Abarcou os mais variados temas relacionados ao Espiritismo. Filosofia, educao, cincia, religio e movimento esprita eram seus temas prediletos. Este ltimo foi motivo de muitas e fundadas polmicas (nunca fugiu delas). No movimento esprita e fora dele, Herculano defendeu o Espiritismo com a energia de um Don Quixote. Os livros e artigos que escreveu, alm dos debates do qual participou, construram uma estampa nica de defesa pblica e destemida do Espiritismo, marcada pelo compromisso com a verdade e a lgica, mais do que com pessoas e instituies. Os padres mgicos (que chegavam a inventar experincias televisivas para provar as fraudes dos espritas) e os pastores dedicados a atacar o Espiritismo tiveram cada um de seus argumentos ou simples acusaes respondidos, na imprensa escrita, no rdio, na televiso. A sintaxe utilizada era a da exposio objetiva de fatos e argumentos. A semntica preferida era a do desenvolvimento lgico e racional.
    No mbito interno do movimento esprita foram igualmente combatidos as prticas espritas que condenava (como as aplicaes inadequadas da mediunidade) e conceitos espritas equivocados (como o da reforma ntima). Inconformado com as inmeras distores que se aplicavam ao Espiritismo no prprio meio esprita, sobretudo pela Federao Esprita Brasileira, com sua inexplicvel defesa de teses de Roustaing, Herculano no se fazia calar. Chegava mesmo a ferir susceptibilidades: o amor s tinha sentido e lugar se amparado na verdade.
    No tenho dvidas de que Herculano era apaixonado pelo Espiritismo. Os seus estudos cientficos, por exemplo, sempre recheados com uma infinidade de informaes levantadas exausto junto a pesquisadores do mundo inteiro, e fortemente calcados na base e na metodologia kardequiana, chegavam a concluses profundamente otimistas sobre os resultados conseguidos pela pesquisa esprita. Em Mediunidade chega a afirmar que a tese esprita da existncia de energias espirituais tpicas j havia sido comprovada cientificamente. A concluso talvez seja discutvel, haja vista a relutncia ainda vigente nos dias atuais aos mtodos e concluses da pesquisa esprita, mas o que mais chama a ateno nesses estudos a profunda capacidade de correlacionar informaes diversas de maneira a cercar um problema e suas causas potenciais, lembrando e complementando o que faziam Bozzano e Kardec: a razo nos diz que no basta encontrar uma causa para um fenmeno, necessrio buscar a causa de um conjunto consistente de fenmenos.
    Na discusso cientfica, o defensor tambm mostrou sua face. Em A Pedra e o Joio dedicou-se a combater as teorias cientficas que se constroem entre os espritas sem base slida. Para Herculano, Kardec a base fundamental. O mtodo kardequiano, apoiado na razo e na universalidade de informaes, e os conceitos fundamentais do Espiritismo, seriam para ele a estrutura slida para o desenvolvimento das pesquisas espritas. A destruio gratuita dessa base poderia colocar em risco todo o conjunto.
    Na questo cientfica tambm fundamental notar uma outra contribuio importante de Herculano: ele estabelecia em seus estudos a discusso explcita entre o Espiritismo e os diversos segmentos da pesquisa psquica, do americano Rhine ao russo Vassiliev, do psicanalista Freud ao engenheiro Bozzano. Ao contrrio de muitos, que timidamente preferem dogmatizar a Doutrina, discutindo apenas a sua lgica interna, Herculano expunha e desta forma mostrava a fora da viso e do mtodo esprita.
    No que se refere ao tema educao, o seu trabalho foi, e continua sendo, mpar. Numa nica frase - o educando um esprito encarnado - resumiu filosoficamente a contribuio do Espiritismo educao. Props e estruturou a Pedagogia Esprita, fortemente calcada nos princpios da imortalidade e da evoluo do esprito. Criou e dirigiu a revista Educao Esprita, que a despeito do pequeno nmero de edies (quantos realmente a apoiaram?), mantm-se ainda hoje como uma das mais importantes contribuies ao tema na nossa literatura. Tambm nesta rea encontramos marcas de sua energia e seu entusiasmo. Afinal, quem alm dele poderia se debruar sobre um projeto de Faculdade de Espiritismo, com processo pedaggico diferenciado e com detalhamento da estrutura organizacional e do currculo? A educao esprita ganha identidade e corpo nas mo de Herculano, mas a sua meta no apenas influenciar os currculos escolares: o alcance da Pedagogia Esprita transcende a esta vida. Coerente com a viso kardequiana de que a conscincia da imortalidade, a proposta de Herculano se resume atribuir transcendncia aos atores e ao processo educacional. Em Educao para a Morte fica claro que o papel educacional do Espiritismo no est focalizado estritamente numa das duas facetas da vida (a encarnada ou a desencarnada), mas sim na sua totalidade. Visa o esprito integral.
    Herculano foi jornalista e trabalhou vrios anos nos Dirios Associados. Escrever foi realmente a sua vida. O que chama mais a ateno, no entanto, que seu estilo no se pautou estritamente na objetividade jornalstica. Era fundamental a discusso, a anlise, s vezes at a divagao por caminhos longos que no retorno davam nova feio ao ponto original. No h dvida de que Herculano foi acima de tudo um filsofo do Espiritismo. Para seu amigo argentino Humberto Mariotti, em Herculano Pires: Filsofo e Poeta, ele era um filsofo e pensava sobre o mundo e o ser com evidentes profundidades metafsicas. Ao publicar a sua Introduo Filosofia Esprita, Herculano enfrentou o problema da anlise do Espiritismo como doutrina filosfica, discutiu a teoria do conhecimento esprita, e props uma Filosofia Esprita da Existncia, que chamou de Existencialismo Esprita: a busca na realidade concreta da essncia possvel, partindo dela para as indues metafsicas. Ao invs de partir da essncia impalpvel, e nela ficar, o Espiritismo parte dos fatos, dos fenmenos, do real, da vida. A discusso da existncia leva essncia, no o contrrio.
    Ao propor uma concepo existencial, Herculano permite-nos tambm compreender o processo dialtico vivido pelo esprito ao nascer, viver, morrer e renascer. Analisando mais especificamente o trabalho de Kardec percebemos que toda a teoria esprita se construiu a partir da observao dos fatos. A viso existencialista permite ver o papel de Kardec e dos demais elaboradores do Espiritismo na sua construo. O maior kardecilogo que o mundo j viu tambm buscou, a cada instante, compreender, interpretar e avaliar o papel de Kardec.

    Talvez seja possvel resumir o que buscou continuamente Herculano: desvendar o grande desconhecido, ou seja, compreender e discutir viso de mundo do Espiritismo, analisar sua contribuio ao conhecimento humano, detalhar seu mtodo, avaliar o papel de Kardec e dos Espritos na sua elaborao, e mostrar a todos tudo o que descobriu.

              Fonte: http://www.espiritnet.com.br/Biografias/bioherc.htm
     

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