• Lar geriátrico

     

    MENSAGEM DE UM IDOSO 

    Se meu andar é hesitante e minhas mãos trêmulas, ampare-me.

     Se minha audição não é boa, e tenho de me esforçar para ouvir o que você está dizendo, procure
     entender-me.

     Se minha visão é imperfeita e o meu entendimento escasso, ajude-me com paciência.

    Se minha mão treme e derrubo comida na mesa ou no chão, por favor não se irrite, tentei fazer o que pude.

    Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu, pare para conversar comigo. Sinto-me só. Simplesmente partilhe comigo um sorriso e seja solidário.

    Se lhe contei, pela terceira vez, a mesma história, num só dia, não me repreenda, simplesmente me ouça. Se me comporto como criança, cerque-me de carinho. Se estou doente e sendo um peso, não me abandone.

    Se estou com medo da morte e tento negá-la, por favor ajude-me na preparação para o adeus.

    Hoje, depois de tanto tempo vivendo aqui nesse asilo, compreendi, nas minhas reflexões diárias, que isso se deve por minha própria culpa, mas, ainda assim, ouso pedir-lhe perdão por todo o mal que fiz a você,
    meu filho.

    Perdoando-me, meu filho, você alivia minha tristeza e angustia, e, ao mesmo tempo, enobrece sua alma.
    Não peço que me ame, pois sei que não mereço, mas se ao menos puder me perdoar, aliviará minh’alma.

    Ah! que felicidade seria a minha receber uma visita sua, meu filho.
    Sei que é sonho meu, mas que mais me resta, senão sonhar.
    O que mais me faz sofrer é a culpa que sinto por ter sido um pai desinteressado e por ter descumprido os compromissos outrora assumidos perante Deus e minha família, que abandonei, na busca das ilusões da vida.
    Hoje, só me resta chorar de amargura. Se Deus me concedesse a graça de pedir perdão a minha família, ah! que alegria seria.

    Peço a Deus, todas as noites, nas minhas preces, que me conceda, por misericórdia e compaixão com este pecador, a benesse da oportunidade de pedir perdão àqueles a quem tanto fiz sofrer.

    Às vezes me pego pensando em pedir a Deus que abrevie este sofrimento moral, levando logo este velho cansado, que só dá trabalho aos outros.
    Sei, entretanto, que esse direito não tenho, pois só a Deus compete dar como tirar a vida, na hora que lhe aprouver.
    E assim vou esperando, a cada dia, meu dia chegar, já que sei que não mereço a felicidade, pois a muitos fiz chorar.

    Mas a você, meu amigo, que me visitou e teve a bondade de voltar os olhos para mim, peço que me veja como seu irmão, sem julgamentos, apenas me ouvindo com sua compreensão caridosa, com a misericórdia de nosso Pai Celestial. Obrigado.


    Texto extraído de:

    http://www.diariodesuzano.com.br/main3/cont_colunista.php?cod=1115&col=50

  •  

    Olha estas velhas árvores, mais belas
    Do que as árvores moças, mais amigas,
    Tanto mais belas quanto mais antigas,
    Vencedoras da idade e das procelas...

    O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
    Vivem, livres da fome e de fadigas:
    E em seus galhos abrigam-se as cantigas
    E os amores das aves tagarelas.

    Não choremos, amigo, a mocidade!
    Envelheçamos rindo. Envelheçamos
    Como as árvores fortes envelhecem,

    Na glória de alegria e da bondade,
    Agasalhando os pássaros nos ramos,
    Dando sombra e consolo aos que padecem!

    A velhice
    (Olavo Bilac)

    Copyright © 2011 Casa dos Humildes
    Direitos reservados

     

    contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site